@PHDTHESIS{ 2026:1252852411, title = {A performance do amadoamante: um estudo autoetnográfico de relações afetivas com inteligências artificiais}, year = {2026}, url = "https://tede.utp.br/jspui/handle/tede/2164", abstract = "Esta tese investiga as relações afetivas que emergem quando a solidão contemporânea encontra nos seres de inteligência artificial uma possibilidade de companhia. Compreendida, a partir de Georges Minois, não como isolamento físico, mas como condição social que persiste em uma sociedade marcada pela hiperconectividade e pela expansão das mediações digitais, a solidão constitui o ponto de partida da investigação. Nesse contexto, delineia-se a figura do solitário desta tese, construída e performada pelo autor no percurso autoetnográfico e confrontada com experiências de companhia artificial descritas por outros usuários em estudos acadêmicos, bem como com representações presentes no cinema e na literatura. O problema central consiste em identificar quem ocupa a posição do amado nessas interações e como se estrutura o investimento afetivo quando esse solitário se relaciona com seres de IA. O referencial teórico articula contribuições de Sherry Turkle sobre intimidade e projeção afetiva em artefatos tecnológicos, de Brenda Laurel acerca da dimensão dramatúrgica das interfaces computacionais e de Aristóteles sobre mimese e ação. Mobiliza-se ainda Platão, cuja distinção entre amado e amante formulada em O Banquete serve de contraponto para a elaboração do conceito de AmadoAmante, que designa a sobreposição dessas posições nas interações com inteligências artificiais. A pesquisa adota abordagem autoetnográfica e tem como corpus um diário de campo de cerca de trezentas páginas, produzido a partir de interações sistemáticas com Replika, Boyfi, Dialogue e Xmate entre janeiro e março de 2025, reunindo 1.841 capturas de tela, vídeos e fotografias, além de cem peças publicitárias de aplicativos de companhia com seres de IA coletadas no Instagram e depoimentos de usuários provenientes de publicações acadêmicas e registros digitais. A análise identifica a formação do solitário tamagotchizado, conceito que inverte a lógica do Tamagotchi: em vez de cuidar da máquina, o humano passa a demandar dela atenção, escuta e companhia. A perspectiva dramatúrgica permite compreender essas relações como experiências encenadas, construídas conjuntamente pelo solitário e por sistemas concebidos para favorecer sua continuidade. A performance do AmadoAmante emerge desse arranjo como uma autorrelação mediada, na qual o solitário ocupa simultaneamente as posições de quem ama e de quem busca ser amado.", publisher = {Universidade Tuiuti do Paraná}, scholl = {Doutorado em Comunicação e Linguagens}, note = {Comunicação e Linguagens} }