@PHDTHESIS{ 2026:340085047, title = {Estética da maldade no cinema: “iteramalgimpsesto” como conceito heurístico de análise fílmica}, year = {2026}, url = "https://tede.utp.br/jspui/handle/tede/2123", abstract = "Esta tese investiga como os filmes Coringa (Joker, Todd Phillips, 2019) e A Substância (The Substance, Coralie Fargeat, 2024) reinscrevem a maldade por meio das materialidades da imagem e do som, compreendendo-a não como essência moral, mas como processo histórico, estético e político. Partindo do diálogo com tradições consolidadas da análise fílmica (Jacques Aumont; Thompson Bordwell e Ismail Xavier) e com abordagens éticas e filosóficas (Hannah Arendt; Zygmunt Bauman; Friedrich Nietzsche e Jaquest Rancière), a pesquisa propõe o neologismo “iteramalgimpsesto”, cunhado por mim nesta tese, como conceito heurístico para a leitura sensorial do mal no cinema contemporâneo.O termo resulta da articulação entre três operações — iteração, amálgama e palimpsesto — e descreve o filme como superfície regravada, na qual imagens, sons e afetos retornam transformados, preservando vestígios de inscrições anteriores. A metodologia fundamenta-se na análise fílmica qualitativa, organizada por uma heurística cromática interpretativa composta por três eixos: vermelho (materialidades visuais), azul (materialidades sonoras) e violeta (sínteses perceptivas entre imagem e som).O corpus foi selecionado pela densidade formal com que os filmes articulam, respectivamente, o mal político e o mal social. Em Coringa, a maldade emerge do colapso institucional e da estetização do desamparo, manifestando-se na relação entre corpo marginalizado, espaço urbano e espetáculo. Em A Substância, o mal se configura como violência biopolítica, visível na duplicação, na abjeção e na deterioração do corpo feminino sob regimes normativos de visibilidade e desempenho.Os resultados indicam que a maldade se fabrica na própria forma fílmica: na cor que tensiona a leitura moral, no som que reorganiza a percepção afetiva, na montagem que alterna hesitação e afirmação, e na mise-en-scène que redistribui regimes de visibilidade. O conceito de” iteramalgimpsesto” evidencia que os filmes do corpus operam uma estética da rasura, na qual camadas sensoriais são raspadas, acumuladas e transformadas, produzindo o mal como experiência sensível antes de enunciado moral. A tese contribui para o campo dos estudos de cinema ao sistematizar esse conceito como ferramenta crítica para compreender como produções do cinema industrial contemporâneo pensam e produzem o mal pela via do sensível.", publisher = {Universidade Tuiuti do Paraná}, scholl = {Doutorado em Comunicação e Linguagens}, note = {Comunicação e Linguagens} }